Todos os dias saio da cama. Sou, portanto, corajosa, tendo em conta que ela me pede encarecidamente para ficar no choco, quentinha, tão mimadinha! Eu resisto porque o dever é maior e a culpa, trabalhadora, não me deixa preguiçar. Às vezes penso no livro do António Alçada Baptista-O Riso de Deus- naquela personagem (sou péssima para guardar nomes!) maravilhosa que deixou de trabalhar para viver dos rendimentos, dos bens que lhe deixaram. Pessoa de coragem. É preciso ter arcaboiço para assumir um privilégio, ninguém perdoa o desplante, a ignomínia. Diriam -viver sem trabalhar é tempo perdido- como se fosse possível prender o tempo ou pará-lo. As pessoas de bem, "as que trabalham", estão tão fechadas na máquina do tempo, num medidor cronológico, que acabam por esquecer a primitivez , a espontaneidade de todas as promessas.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
É coragem...
Todos os dias saio da cama. Sou, portanto, corajosa, tendo em conta que ela me pede encarecidamente para ficar no choco, quentinha, tão mimadinha! Eu resisto porque o dever é maior e a culpa, trabalhadora, não me deixa preguiçar. Às vezes penso no livro do António Alçada Baptista-O Riso de Deus- naquela personagem (sou péssima para guardar nomes!) maravilhosa que deixou de trabalhar para viver dos rendimentos, dos bens que lhe deixaram. Pessoa de coragem. É preciso ter arcaboiço para assumir um privilégio, ninguém perdoa o desplante, a ignomínia. Diriam -viver sem trabalhar é tempo perdido- como se fosse possível prender o tempo ou pará-lo. As pessoas de bem, "as que trabalham", estão tão fechadas na máquina do tempo, num medidor cronológico, que acabam por esquecer a primitivez , a espontaneidade de todas as promessas.
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