sábado, 11 de dezembro de 2010

Preliminares de Natal

   Ainda não fiz a árvore de Natal. Este ano não me apetece. Faltam aqui os miúdos para dar graça a estes objectos inúteis que, ano após ano, revestem os ramos do pinheiro comprado nos trezentos. Se ao menos eu tivesse mais tempo para estas coisas,se ao menos tivesse quem as apreciasse...
   Hoje o Natal é tão diferente do que era. Lembro-me da lareira, do fumo, às vezes intenso, dos escanos onde nos sentávamos todos. Não me lembro muito da comida, só do cheiro a canela, da aletria e das rabanadas, mais nada! Lembro-me da certeza que naquele dia estávamos todos. Lembro-me de rir, de estar feliz, de gostar muito da minha família! Lembro-me de termos tempo para as pessoas. Como não tínhamos perdido tempo a comprar prendas, ficávamos com todo o tempo para estar uns com os outros. Lembro-me de deixarmos um sapato (ou bota) na chaminé e de, no dia seguinte, lá encontrar em cada um uma saca cheia de paciências, catraios e bolachas de baunilha. Acho que nunca acreditei que fosse o menino Jesus, como dizia a mãe. A maneira como a saca era fechada era igual aos embrulhos que o pai fazia na loja, por isso... mas não interessava. De manhã, ficávamos tão entusiasmados, assim, sem brinquedos, cheios de Natal. O primeiro que se lembrasse, dizia:
   - As minhas janeiras a todos!
   Depois diziam uns e outros, desordenados, nenhum queria ser o último a pedir porque os últimos não pediam, tinham de dar.
   Não tínhamos árvore de Natal e hoje tenho aqui figuras, bolas, estrelas, pais-natal, e uma infinidade de relíquias do presépio (Nossa Senhora, S. José, o Menino Jesus, os reis, a vaca, o jumento e os músicos da banda, em filinha...). Só me falta a vontade, falta-me essa magia, faltam-me os pequenos aqui!
  

2 comentários:

Unknown disse...

Eu também me lembro disso tudo e tirando a parte que continua a ser boa a de continuarmos aestar juntos era muito mais emocionante.

graça disse...

Eu acho que era mais emocionante porque eramos crianças! Penso que o que fica pelo caminho não é a magia mas sim a nossa capacidade de a ver nas coisas! Se calhar acaba quando descobrimos que o Pai Natal não existe. Um dia vão ser os futuros adultos a dizer: " No meu tempo..." :)