quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ser ou não ser...

   Há momentos que nos obrigam a rever por dentro, a encontrar por lá, num canto meio escondido pela modéstia, coisas de que até gostamos em nós, de que até nos orgulhamos, mas que temos  pejo em assumir, como se fosse errado acharmos bem de nós, é uma espécie de impudor pecaminoso que deve ser reprimido. Não acho justo que nos obriguem à humildade, que nos ensinem que esse é o único caminho para a virtude. Não devia ser errado afirmar o nosso brio, acho que até éramos mais livres e, por isso, mais felizes também. Mas não, ficamos atracados ao discreto, anulamos o desejo. Deixamo-nos entregues ao recato, presos nessa falsidade. Todos gostamos, e merecemos (alguns não, são demasiado maus), um elogio dado por nós, assim, de borla, sem cobranças. Eu, na verdade, (como todos?) sou feita de metades, o único problema é que há metades que não deixam as outras vingar! Sempre o anjo e o demónio à espreita, sobretudo o demónio da insegurança. Será que devo ter orgulho em mim?! E o anjo responde "a modéstia é uma virtude". Não sei se tenha pena, mas hoje não concordo com ele, é que me lembrei da canção que diz "Que força é essa, amigo, que te faz andar de bem com os outros e de mal contigo".

Um comentário:

Franck disse...

Deixa-me ser modesto.
Eu sou ...
Tu és ...
Ele é ...
Nós somos ...
Vós sois ...
Eles não são.