Lá está de novo parada. É assim todos os domingos, fica à espera do autocarro que nunca vem. Não sei se quer entrar ou se espera que alguém de lá desça. Às nove da manhã vem, às vinte e uma vai embora. Dir-se-ia um ritual, uma missa, lá estão as mesmas mãos persistentes, a mesma candura, um olhar quase morto, parado numa imagem, rua ou pessoa. Dir-se-ia uma santa, tanto tempo parada, inerte, serena. Vê-la assim de colo elegante e distinto atrai como um iman e insisto a olhá-la. Não me vê, não vê ninguém, está fixada em alguém dentro de si, num outro tempo, numa outra vida. Oxalá venha o autocarro, ou a pessoa ...
Se ela ao menos soubesse que nesta rua não há paragem, que lá mais longe há outras ruas, mais autocarros ...

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