sábado, 12 de março de 2011

À espera de D. Sebastião

   Tenho a secretária cheia de papéis à espera que lhes toque, à espera de manuseamento, à espera... Tenho a vontade sentada, à espera que os papéis se resolvam sozinhos.
   Quando não gostamos do trabalho que temos entre mãos, qualquer coisa nos parece muito mais atraente, até lavar a loiça ou limpar sapatos. Por isso, tenho as botas lustrosas, os sapatos polidos  e as tiras das sandálias a espelhar. Estou a pensar continuar, as chanatas estão bem precisadas. O problema são os papéis que lá continuam à espera. Já agora, as gavetas da cozinha também já levavam uma boa arrumação, e as da cómoda do quarto de hóspedes porque as do meu quarto já limpei, organizei - collans num lado, mini-meia no outro, soquetes dentro de um caixa onde vinham os cremes da boticário que me deram no Natal, coturnos numa boceta de sapatos onde diz try a pair, ...
   Qualquer coisa que noutra altura me pareceria enfadonha, fastienta e escusada, agora surge como uma tarefa a precisar de urgência, uma urgência que apagará a outra. Mas os papéis lá estão, cabeçudos, teimosos na sua emboscada. Como diz a Matilde, do livro do Sttau Monteiro,  não sabemos por onde começar. Claro que ela logo a seguir dá uma dica: mas é preciso começar. Antes disso, acho que já faz um tempo que não limpo a garagem...

Um comentário:

margarida disse...

Como diria alguém: palavras que podiam ser minhas...